Dizem que a rotina destrói relacionamentos, que você ver uma pessoa todos e todos os dias cria mil desgastes.
Realmente, nem todo dia você acorda bem-humorado, nem todo dia você está disposto a conversar, nem todos os dias você está com vontade de encontrar alguém.
Por outro lado, minha filha mais velha mora a 9268 km de distância de mim, minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos outros 8000 km, meu irmão mais uns 9000 km: o que fazer com isso?
Uma vontade de sempre tentar conversar com eles, estar perto deles, mas a vida e o cotidiano vão se sobrepondo… sempre que podemos nos vemos, sempre que podemos nos falamos, só que nessa história da distância física, eu sinto falta da convivência, sinto falta justamente daquilo que todo mundo diz que termina com os relacionamentos: o excesso de proximidade, a rotina, as discussões diárias, as exaustões dos dias que terminam quando você não imaginou que eles poderiam ter o desfecho que tiveram — às vezes bons, às vezes ruins — então qual é a fórmula? Não tem fórmula… me parece que o que precisamos refletir é a importância de termos tolerância, de termos o desejo de nos falar, de termos a vontade de saber do outro no meio de uma era tão confusa, com tantas informações, tantos grupos, tantas demandas.
Nos desdobrar ao longo dos nossos dias, priorizar o que é importante para nós se tornou um enorme desafio, não importa a sua idade.
Às vezes você está num dia atrapalhado e ter por perto uma pequena criança que sorri, te faz pensar na delícia de ver a nova geração chegando para trazer as descobertas e encantamentos do viver. Do mesmo modo, às vezes, problemas que parecem insolúveis, numa pequena troca com uma pessoa mais velha te traz uma maturidade, um olhar diferenciado de quem já passou por muitas experiências na vida, que de formas diferentes, vai te acalentar. A troca é essencial.
Então, se não há fórmula, é preciso tentar estar próximos uns dos outros da melhor maneira que for possível, organizando o nosso dia a dia de forma a estar com as pessoas que realmente são importantes para nós, nas datas simbólicas, nas não simbólicas, abrindo espaço para estar. Para ouvir, para nos dar as mãos.
Que tenhamos mais paciência, mais sabedoria, mais tranquilidade. Palavras sempre faladas. Deve ter um motivo para serem repetidas e repetidas…
Estar presente na ausência é um desafio que exige de cada um o desejo pessoal de acreditar na teia poderosa do amor.
Vale a pena. A vida presta.
Feliz 2026!